Você sai para caminhar, anda de moto, abre a janela do carro ou passa algum tempo em um ambiente ventilado.
Pouco depois, os olhos começam a arder, lacrimejar ou dar aquela sensação de ressecamento.
Muita gente acredita que o vento “machuca” os olhos.
Na verdade, ele costuma apenas evidenciar um problema que já pode estar presente: a instabilidade da lágrima que protege a superfície ocular.
A lágrima faz muito mais do que lubrificar os olhos
Quando pensamos em lágrimas, normalmente lembramos apenas do choro.
Mas existe uma fina camada de lágrima que permanece constantemente sobre os olhos.
Ela tem funções essenciais para a saúde ocular:
- manter a superfície dos olhos hidratada;
- proteger contra agentes externos;
- nutrir a córnea;
- proporcionar uma visão mais nítida e estável.
Quando essa camada está saudável, ela forma uma película uniforme sobre a superfície ocular.
É justamente essa película que o vento pode alterar.
O que o vento faz nos olhos?
O vento acelera a evaporação da lágrima.
Em pessoas que já apresentam alguma alteração na quantidade ou, principalmente, na qualidade dessa lágrima, ela desaparece mais rapidamente da superfície ocular.
Como consequência, os olhos ficam mais expostos e suscetíveis ao desconforto.
Os sintomas mais comuns são:
- ardência;
- sensação de areia nos olhos;
- vermelhidão;
- lacrimejamento;
- visão que oscila, principalmente após algum tempo ao ar livre.
Por isso, muitas pessoas percebem que os olhos incomodam mais durante passeios ao ar livre, em viagens de carro com a janela aberta ou em dias de muito vento.
Mas por que os olhos chegam a lacrimejar?
Esse é um detalhe que costuma surpreender os pacientes.
Quando a superfície ocular fica irritada, o organismo tenta se proteger produzindo uma lágrima em maior quantidade.
Essa lágrima funciona como uma resposta de defesa.
O problema é que ela não possui a mesma capacidade de manter a superfície ocular estável por muito tempo.
Por isso, é possível sentir os olhos lacrimejando e, ao mesmo tempo, continuar com a sensação de ressecamento.
Algumas pessoas sentem mais do que outras
Nem todo mundo reage da mesma forma ao vento.
Os sintomas costumam ser mais frequentes em pessoas que apresentam:
- olho seco;
- alterações nas glândulas responsáveis pela camada lipídica da lágrima;
- uso prolongado de telas;
- uso de lentes de contato;
- envelhecimento natural da superfície ocular.
Isso explica por que duas pessoas expostas ao mesmo ambiente podem sentir desconfortos completamente diferentes.
É possível reduzir esse incômodo?
Em muitos casos, sim.
Algumas medidas simples ajudam a proteger os olhos no dia a dia:
- utilizar óculos de sol em ambientes muito ventosos;
- evitar que ventiladores ou aparelhos de ar-condicionado fiquem direcionados diretamente para o rosto;
- fazer pausas durante o uso prolongado de telas;
- manter uma boa hidratação;
- procurar avaliação oftalmológica quando os sintomas forem frequentes.
Cada paciente pode precisar de uma abordagem diferente, dependendo da causa do ressecamento ocular.
Quando vale a pena investigar?
Sentir desconforto ocasional em um dia de muito vento pode acontecer.
Mas quando os sintomas aparecem repetidamente ou passam a fazer parte da rotina, é importante investigar.
Ardência, lacrimejamento, sensação de areia e visão oscilante não devem ser encarados como algo normal apenas porque surgem em determinadas situações.
Na maioria das vezes, eles são um sinal de que a superfície ocular merece uma avaliação mais cuidadosa.
O vento, por si só, não costuma ser o responsável pelo problema.
Ele apenas torna mais evidente uma alteração que já pode existir na superfície dos olhos.
Quando entendemos a causa desse desconforto, conseguimos indicar tratamentos e orientações mais adequados para recuperar a estabilidade da lágrima e melhorar a qualidade de vida do paciente.
Afinal, sentir os olhos arderem sempre que venta não precisa fazer parte da rotina.