Por que seus olhos ardem mesmo usando colírio? Entenda o que pode estar por trás do Olho Seco

Por que seus olhos ardem mesmo usando colírio? Entenda o que pode estar por trás do Olho Seco

A sensação de ardência nos olhos é uma das queixas que mais chega ao meu consultório. Muitos pacientes chegam depois de meses tentando resolver o problema por conta própria, com colírios que trazem alívio por algumas horas mas não resolvem a raiz do desconforto. Se você está passando por isso, quero explicar o que costuma estar por trás da doença do olho seco e por que o tratamento eficaz começa com um diagnóstico preciso.

Ao contrário do que muita gente imagina, a doença do olho seco não é simplesmente “falta de lágrima”. Na maioria dos casos, o que está por trás do problema é uma alteração na qualidade da lágrima, não apenas na quantidade. Entender essa diferença é o primeiro passo para sair do ciclo de alívio temporário e encontrar uma solução duradoura.

🔍 O que realmente causa a doença do olho seco

A lágrima saudável é formada por três camadas distintas que trabalham em conjunto: a camada aquosa (produzida pelas glândulas lacrimais), a camada lipídica (produzida pelas glândulas de Meibômio, localizadas nas pálpebras) e a camada mucosa (que ancora as outras duas à superfície do olho). Quando qualquer uma dessas camadas não funciona adequadamente, a película lacrimal se torna instável: a lágrima evapora mais rápido ou perde sua capacidade protetora.

O resultado é justamente o conjunto de sintomas característico da doença do olho seco: ardência, sensação de areia, coceira, visão embaçada que melhora ao piscar, sensibilidade à luz e, em alguns casos, lacrimejamento excessivo. Esse último sintoma costuma surpreender: “como posso ter olho seco se estou lacrimejando?” A explicação é que a superfície ocular irritada aciona um reflexo de proteção, liberando lágrimas em excesso, porém sem a qualidade necessária para hidratar adequadamente.

A doença do olho seco pode ter origem em diferentes mecanismos. Em cerca de 80% dos casos, o problema está na camada lipídica: as glândulas de Meibômio ficam obstruídas por secreção espessada, a camada de óleo se torna insuficiente e a lágrima evapora muito mais rápido do que deveria. Esse tipo é chamado de doença do olho seco evaporativa e é o mais frequente na minha prática clínica.

⚠️ Por que o colírio nem sempre resolve a doença do olho seco

Os colírios lubrificantes têm um papel legítimo no manejo da doença do olho seco: eles aliviam os sintomas e fazem parte do tratamento em muitos casos. O problema é que a maioria dos colírios disponíveis em farmácias atua exclusivamente na reposição da camada aquosa. Quando o desequilíbrio está na camada lipídica, o colírio repõe a umidade momentaneamente, mas não impede a evaporação acelerada. Após alguns minutos, o desconforto retorna.

Além disso, muitos colírios comuns contêm conservantes (como o cloreto de benzalcônio) que, com uso frequente e prolongado, podem irritar a superfície ocular e agravar a própria doença do olho seco que se está tentando tratar. Por isso, o uso de qualquer colírio mais de quatro vezes ao dia sem orientação médica merece atenção.

A doença do olho seco tratada apenas com lubrificante, sem identificar e abordar a causa subjacente, tende a entrar em um ciclo previsível: o alívio chega, dura algumas horas, e o desconforto retorna. Esse padrão é o sinal mais claro de que o problema não está sendo tratado pela raiz.

📋 Hábitos do dia a dia que agravam a doença do olho seco

A doença do olho seco raramente tem uma causa única. Na maioria dos pacientes que atendo, há uma combinação de fatores. Alguns hábitos muito comuns interferem diretamente na estabilidade da película lacrimal:

Uso prolongado de telas: ao focar em computadores, celulares ou televisão, a frequência de piscamento cai de cerca de 15 vezes por minuto para apenas 5 a 7. Piscar menos significa menos distribuição de lágrima pela superfície ocular, o que favorece a evaporação e os sintomas da doença do olho seco.

Exposição constante a ar-condicionado ou vento: ambientes climatizados reduzem a umidade relativa do ar, acelerando a evaporação lacrimal e piorando os sintomas da doença do olho seco.

Uso inadequado de lentes de contato: lentes usadas por mais tempo do que o recomendado ou sem a hidratação adequada interferem na distribuição uniforme da lágrima e podem desencadear ou agravar a doença do olho seco.

Maquiagem aplicada na linha d’água ou não removida adequadamente: a linha d’água é exatamente onde ficam os ductos das glândulas de Meibômio. Maquiagem nessa região pode obstruir as glândulas e comprometer a camada lipídica da lágrima, contribuindo para a doença do olho seco.

Medicamentos de uso contínuo: anti-histamínicos, antidepressivos, diuréticos e anticoncepcionais podem reduzir a produção lacrimal como efeito colateral, agravando a doença do olho seco em pessoas com predisposição.

Dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) indicam que a doença do olho seco afeta cerca de 35% da população adulta brasileira, com maior prevalência em mulheres acima dos 50 anos. Apesar da alta frequência, a condição permanece subdiagnosticada: muitos pacientes convivem anos com o desconforto sem saber que existe tratamento além do colírio lubrificante.

📊 Quando a ardência deixa de ser algo pontual

O desconforto causado pela doença do olho seco costuma começar de forma leve e esporádica. Com o tempo, muitos pacientes se acostumam com a sensação e deixam de dar a devida atenção ao sintoma. A tabela abaixo pode ajudar a identificar em que estágio o desconforto se encontra:

Situação Frequência Resposta ao colírio O que indica
Ardência após exposição a vento ou fumaça Eventual Melhora completa Irritação passageira
Sintomas frequentes após telas ou ar-condicionado Algumas vezes por semana Melhora parcial e temporária Doença do olho seco leve
Ardência, visão embaçada e desconforto constantes Diária Pouca ou nenhuma melhora Doença do olho seco crônica: avaliação necessária

Quando a ardência se torna frequente, ela já indica uma alteração que precisa ser investigada. A doença do olho seco crônica pode progredir para lesões na superfície ocular se não for tratada adequadamente. Por isso, é importante não normalizar o desconforto.

🔧 O que realmente resolve a doença do olho seco

O tratamento da doença do olho seco depende diretamente da causa identificada na avaliação clínica. Por isso, não existe uma abordagem única que funcione para todos os casos. As principais opções que utilizo no meu consultório são:

Colírios específicos para cada tipo de alteração: formulações com componente lipídico para a doença do olho seco evaporativa, colírios sem conservantes para uso frequente, e em casos com componente inflamatório, medicamentos tópicos que interrompem o ciclo inflamatório da doença do olho seco crônica.

Higiene e calor nas pálpebras: compressas mornas e a limpeza adequada das margens palpebrais ajudam a desobstruir as glândulas de Meibômio, melhorando a qualidade da camada lipídica da lágrima. É uma medida simples, com impacto real na evolução da doença do olho seco.

Tampões lacrimais: pequenos dispositivos inseridos nos canalículos lacrimais que reduzem a drenagem das lágrimas, aumentando o tempo em que a película lacrimal permanece sobre a superfície ocular.

Luz Intensa Pulsada (IPL): tratamento com tecnologia a laser que reduz a inflamação nas pálpebras e estimula a função das glândulas de Meibômio. É especialmente indicado para a doença do olho seco evaporativa e apresenta resultados consistentes e duradouros. Tenho observado respostas muito positivas com essa abordagem em pacientes que não obtinham melhora satisfatória com outras medidas.

✅ Por que identificar a causa faz toda a diferença

A doença do olho seco é tratável. O que costuma prolongar o desconforto não é a gravidade da condição em si, mas o tempo que se passa sem um diagnóstico adequado. O alívio momentâneo do colírio pode mascarar um problema que continua presente e que, sem tratamento, tende a se agravar progressivamente.

Identificar a causa da doença do olho seco em cada paciente é o que permite escolher o tratamento certo e, principalmente, interromper o ciclo de desconforto que muitos convivem por anos sem perceber que há solução disponível.

Se seus olhos ardem com frequência, mesmo com o uso de colírio, isso não deve ser ignorado. Agende uma consulta: avalio a saúde da sua superfície ocular com exames específicos e definimos juntos o tratamento mais adequado para o seu caso. Clique aqui para agendar sua consulta.

❓ Perguntas Frequentes: Doença do Olho Seco

A doença do olho seco tem cura?

Na maioria dos casos, a doença do olho seco é uma condição crônica que pode ser muito bem controlada, mas não eliminada definitivamente. Com o tratamento adequado, os sintomas diminuem de forma significativa e os pacientes recuperam o conforto visual no dia a dia. Em alguns casos, quando a causa é removível (como um medicamento ou hábito específico), é possível ter remissão completa dos sintomas.

Quantas vezes por dia posso usar colírio lubrificante?

Colírios sem conservantes podem ser usados com maior frequência sem risco de irritação adicional. Já os colírios com conservantes não devem ser usados mais de 4 vezes ao dia, pois o uso excessivo pode agravar a doença do olho seco. Em qualquer caso, a necessidade de usar colírio com alta frequência é um sinal de que a causa do problema não está sendo tratada de forma adequada.

A cirurgia refrativa (LASIK) pode causar doença do olho seco?

Sim. A cirurgia refrativa pode agravar ou desencadear a doença do olho seco temporariamente, em especial nos primeiros meses após o procedimento. Por isso, a avaliação completa da superfície ocular antes da cirurgia é indispensável. Pacientes com doença do olho seco preexistente precisam de tratamento prévio e acompanhamento cuidadoso no pós-operatório para evitar complicações.

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Dra. Maria Eugênia Pozzebon

Formada em Medicina pela PUC-Campinas e com Residência Médica em Oftalmologia pela UNICAMP, a Dra. Maria
Eugênia construiu uma trajetória sólida baseada na busca constante pela excelência.

Possui título de Especialista pela AMB e CBO, além de especializações em Córnea, Catarata, Cirurgia Refrativa e Plástica
Ocular pela UNICAMP. Mestre em Ciências Médicas, ela alia o conhecimento acadêmico à prática clínica humanizada.

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Dra. Maria Eugênia

Oftalmologista

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